Cristo Redentor.html

 
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Nota: Para outros significados de Cristo Redentor, ver Cristo Redentor (desambiguação).


Estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro.

O Cristo Redentor é uma estátua de Jesus Cristo localizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Está localizada no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do nível do mar. De seus 38 metros, oito estão no pedestal. Foi inaugurado às 19:15 do dia 12 de outubro de 1931, depois de cerca de cinco anos de obras. Um símbolo do cristianismo, a estátua se tornou um dos ícones mais reconhecidos internacionalmente de ambos Rio e Brasil. No dia 7 de Julho de 2007, em Lisboa, no Estádio da Luz, foi eleita uma das novas sete maravilhas do mundo.[1]

Índice

editar História

O Morro do Corcovado antes da construção do Cristo Redentor.

A construção de um monumento religioso no local foi sugerida pela primeira vez em 1859, pelo padre lazarista Pedro Maria Boss, à Princesa Isabel. No entanto, apenas retomou-se efetivamente a idéia em 1921, quando se iniciavam os preparativos para as comemorações do centenário da Independência.

A estrada de rodagem que dá acesso ao local onde hoje se situa o Cristo Redentor foi construída em 1824 no Silvestre. Já a estrada de ferro teve o primeiro trecho (Cosme Velho-Paineiras) inaugurado em 1884. No ano seguinte, 1885, o segundo trecho foi concluido, completando a ligação com o cume. A ferrovia, que tem 3.800 metros de extensão, foi a primeira ser eletrificada no Brasil, em 1906. A construção do Cristo Redentor ainda é considerada um dos grandes capítulos da engenharia civil brasileira. O dono do projeto levou a vida inteira construindo a estátua, erguida em concreto armado e revestida de pedra-sabão, originária do próprio pico do Corcovado.

editar Pedra fundamental

Etapa final da construção do Cristo Redentor.

A pedra fundamental da estátua foi lançada em 4 de abril de 1922, mas as obras somente foram iniciadas em 1926. Dentre as pessoas que colaboraram para a realização, podem ser citados o engenheiro Heitor da Silva Costa (autor do projeto escolhido em 1923), o artista plástico Carlos Oswald (autor do desenho final do monumento) e o escultor francês de origem polonesa Paul Landowski (executor dos braços e do rosto da escultura).

Alguns historiadores especulam que o monumento seria um presente da França para o Brasil em resposta a alguma tentativa de invasão.[2]

editar Inauguração

Na cerimônia de inauguração, no dia 12 de outubro de 1931, estava previsto que a iluminação do monumento seria acionada a partir da cidade de Nápoles, de onde o cientista italiano Guglielmo Marconi emitiria um sinal elétrico que seria retransmitido para uma antena situada no bairro carioca de Jacarepaguá, via uma estação receptora localizada em Dorchester, Inglaterra. No entanto, o mau tempo impossibilitou a façanha, e a iluminação foi acionada diretamente do local. O sistema de iluminação original foi substituído duas vezes: em 1932 e no ano 2000.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) em 1937, o monumento passou por obras de recuperação em 1980, quando da visita do Papa João Paulo II, e novamente em 1990. Outro conjunto de obras importantes foi feito em 2003, quando foi inaugurado um sistema de escadas rolantes e elevadores para facilitar o acesso à plataforma de onde se eleva a estátua.

O monumento é parte construído com Skånska Cement AB, Skåne e o concreto da parte de dentro da estátua, vem de Limhamn, Malmö, Suécia. E o que é visto externamente é uma cobertura feita de pedra denominada Talco.

editar Controvérsia

Antes mesmo de ser construído, o Cristo Redentor era motivo de acaloradas discussões que dividem o país em católicos e protestantes. Apesar de atualmente protestantes de todo o mundo visitarem o Cristo, inicialmente os líderes da Igreja Batista eram contrários à construção do mesmo, chegando a propor que o dinheiro arrecadado fosse usado na construção de uma obra beneficente.

editar Reação adversa à construção

Em 22 de março de 1923, seguidores da Igreja Batista declararam em nota publicada em O Jornal Batista, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, seu desgosto quanto à construção do Cristo Redentor. A nota afirmava que a construção "será a um tempo um atestado eloqüente de idolatria da igreja de Roma e uma afronta a Deus. No dia em que tal crime se consumar, bom seria que todos os verdadeiros cristãos no Brasil se reunissem em culto penitencial, para pedir a Deus que não imputasse a todo o Brasil esse grande pecado, cuja responsabilidade deve recair sobre a Igreja Católica e sobre os governantes que não souberam ou não quiseram fugir à armadilha, preparada por ela com a isca do patriotismo". Afirmaram também que "os que tiveram a infeliz idéia de erigir o monumento a Cristo Redentor, não tiveram a intenção de honrar a Cristo, mas sim a de engrandecer o catolicismo romano. Se tivesse querido honrar a Cristo, procurariam erigir-lhe um monumento não no Corcovado, mas em cada coração. No coração é que Cristo quer reinar. Eles, porém, pretendem honrar a Cristo, desonrando-o, fazendo aquilo que ele terminantemente proibiu — fazendo-lhe uma imagem".[3]

editar Direitos de uso

A estátua do Cristo Redentor atualmente.

A estátua do Cristo Redentor tem seus direitos de uso comercial pertencentes à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, embora haja disputa por parte dos herdeiros dos envolvidos na concepção da obra. Há que se observar, ainda, que a estátua está situada em logradouro público administrado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

editar Entrada grátis para católicos

Em 21 de novembro de 2007, o superintendente do IBAMA, Rogério Rocco, afirmou que a partir daquela data os católicos poderiam entrar gratuitamente no Cristo Redentor, mas apenas em datas agendadas pela Arquidiocese do Rio de Janeiro[4][5]. A decisão causou desgosto nos admiradores da imagem que seguem outras religiões e naqueles que advocam pelo secularismo do estado.

editar Santuário católico

Outra decisão que causou desgosto nos protestantes admiradores da imagem do Cristo, foi a de transformá-lo num santuário católico nas comemorações de seus 75 anos, em 12 de outubro de 2006.

Há também, na base da estátua, uma capela católica devotada à Nossa Senhora Aparecida, onde são celebrados ritos católicos como casamentos e batizados.

Vista de 180 graus de cima do Cristo Redentor
Vista de 180 graus de cima do Cristo Redentor

editar Sete maravilhas do mundo moderno

No dia 7 de julho de 2007, em uma festa realizada em Portugal, o Cristo Redentor foi incluído entre as novas sete maravilhas do mundo moderno. A decisão, após um concurso informal, foi baseada em votos populares (internet e telefone), votação esta que ultrapassou a casa dos cem milhões de votos[6]

Todavia, o concurso não possui o apoio da UNESCO, que apontou a falta de critérios científicos para a escolha das maravilhas[7].

Cristo Redentor

editar Referências culturais

A estátua aparece em diversas canções, como tema ou citada.

  • Alagados, dos Paralamas do Sucesso (E a cidade que tem braços abertos/No cartão postal)
  • Corcovado, de Tom Jobim (Da janela vê-se o Corcovado/O Redentor, que lindo)
  • Expresso 2222, de Gilberto Gil (O Cristo é como quem foi visto subindo ao céu)
  • Las Muchachas de Copacabana, de Chico Buarque (Corcovado em Mar del Plata/Tem)
  • Os Passistas, de Caetano Veloso (O Corcovado e o Redentor daqui)
  • Paralelas, de Belchior (No Corcovado/Quem abre os braços sou eu)
  • Samba do Avião, de Tom Jobim (Cristo Redentor/Braços abertos sobre a Guanabara)
  • Samba do Grande Amor, de Chico Buarque (Fiz promessa até/Pra Oxumaré/De subir a pé o Redentor)
  • Subúrbio, de Chico Buarque (Lá tem Jesus/E está de costas)
  • Um Trem para as Estrelas, de Cazuza (São 7 horas da manhã/Vejo Cristo da janela [...] Estranho o teu Cristo, Rio/Que olha tão longe, além/Com os braços sempre abertos/Mas sem proteger ninguém)
  • O País do Futuro, Camisa de Vênus (...mas muita fé em Jesus Cristo/Quem sabe ele se zanga, desce lá do Corcovado/Passa o cajado nessa corja, Deus também fica retado)
  • Realidade Virtual, Engenheiros do Hawaii (A neblina encobre o Cristo e a lagoa se ilumina)
  • Redentor, Zélia Duncan (Você sabia, meu amor, que da minha janela/ eu vejo o Cristo Redentor, ele tá sempre lá em cima)
  • Braços cruzados, Zélia Duncan (Cristo Redentor, eu vi seus braços cruzados)

editar Réplica

Portugal possui uma escultura similar junto à foz do Rio Tejo, na sua margem sul, na cidade de Almada. A estátua, virada para Lisboa, foi inaugurada a 17 de Maio de 1959 e constitui o melhor miradouro da capital portuguesa. O monumento, designado por Cristo-Rei, é uma das mais altas construções de Portugal, com 110 metros de altura.

Referências

editar Ligações externas

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