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A Suíça, oficialmente Confederação Helvética (em latim Confœderatio Helvetica), é um pequeno Estado confederal localizado no centro da Europa. Possui uma área de 41 285 km², dos quais 1 740 são cobertos por lagos e rios e 8 787 por áreas improdutivas como montanhas. O país faz fronteira a Norte com a Alemanha, a Leste com a Áustria e o Liechtenstein, a Sul com a Itália e a Oeste com a França. A Suíça conta com 7 508 700 habitantes resultando numa densidade populacional de 188 habitantes por quilómetro quadrado. A capital administrativa é Berna. Outras cidades importantes são Zurique, Genebra, Lausana e Basileia. A Suíça é uma das economias mais ricas do mundo[5], e é sede de inúmeros bancos privados e de organizações internacionais.[6] A sua história é marcada pela sua neutralidade política perante as outras nações e representa um marco de liberdade e de democracia para o mundo inteiro.[7] A cultura do país é sobretudo marcada pela diversidade linguística mas bem divididas entre elas apesar das características do povo suíço serem mais homogéneas. Trata-se de uma população activa quer nível desportivo quer a nível cultural e político.[8]
editar EtimologiaConfœderatio Helvetica é nome oficial do país em que "helvética" vem da palavra latina Helvetia cujo nome provém da antiga tribo celta dos Helvécios. A Revolução Suíça de 1798 foi a primeira contra a supremacia dos fundadores da Antiga Confederação Suíça: Uri, Schwyz, Unterwalden e as cidades de Lucerna, Zurique e Berna. As diferentes línguas faladas obrigaram a criar um nome único em latim, língua maioritariamente falada na Europa naquela época. Hoje, "Helvetia" (pronunciada Helvessia) é utilizada para caracterizar oficialmente a Suíça. Este nome pode ser encontrado em selos e moedas suíços. "C.H." (Confœderatio Helvetica) são as iniciais encontradas nos autocolantes para os carros e no domínio da Internet (.ch).[9] editar Históriaeditar AntiguidadeA história da Suíça começa antes do Império Romano: em 500 a.C. Nessa altura, muitas tribos celtas estavam localizadas nos territórios do Centro-Norte da Europa. A mais importante delas era a dos Helvécios, nome que iria originar a designação actual da Suíça.[10] Ao contrário do que era dito pelos Romanos e pelos Gregos, os Helvécios não eram selvagens mas sim avançados na técnica de jóias e outras peças pequenas. As escavações feitas no Lago de Neuchâtel provaram isso. Em 58 a.C., os Helvécios tinham planeado descer para o sul mas foram parados pelo Exército Romano perto de Bibracte pelo general Júlio César, e foram obrigados a recuar.[10][11] Os Romanos controlaram o território suíço até cerca 400 d.C. Foram criadas fronteiras e fortalezas a Norte do rio Reno para conter as invasões bárbaras provenientes do Norte da Europa.[12] Com o imperador Augusto, os romanos conquistaram a parte Oeste da Alemanha e a Áustria. Muitas cidades actuais da Suíça foram fundadas naquela era: Genibra (Genebra), Lausana (Lausana), Octodurum (Martigny), Salodurum (Soleura), Turicum (Zurique), Sedunum (Sion), Basilia (Basileia), entre outras.[12][13] O período da Idade Média da Suíça foi um pouco confuso até à formação da antiga Suíça. Depois da queda do Império Romano, o território foi invadido por tribos germânicas como os Burgúndios, Alamanos e Lombardos,[14]. No século VIII, Burgúndios e Alamanos entraram na coalizão dos Francos de Carlos Magno, que permitiu que missionários católicos entrassem nos territórios controlados pelos Alamanos. Com o Tratado de Verdun, o território suíço passou às mãos de Lotário I, que incluía um assentamento burgúndio à oeste do rio Aar que depois formou um reino independente até 1033, quando integrou de novo o Sacro Império Romano Germânico.[14][15] editar Confederação de 1291 e o seu crescimento1 de Agosto de 1291 é a data do início da Confederação Helvética.[16] Esta data foi encontrada num documento que já foi autenticado através de uma análise radionuclear de Carbono-14.[17] Tudo começou com uma estrada chamada St. Gotthard e três pequenos vales no centro do território suíço - Waldstätte - que ficaram esquecidos pelos duques e reis. Do século XI ao século XIII, muitas cidades foram fundadas, incluindo Berna, Lucerna e Friburgo.[18] A estrada de St. Gotthard serviu às populações que viviam nas planícies e nas montanhas, unindo-as. Ao longo dos tempos, foram feitas estradas entre os povoados e a confederação foi aumentando o seu território, tornando as aldeias das montanhas mais próximas e mais fortes. Ainda há uma lenda nacional sobre a fundação do país: Guilherme Tell, o herói nacional suíço representado actualmente nas moedas suíças de cinco francos. Porém, muitos historiadores acreditam que não passa de uma figura heróica. A partir de 1332, a confederação começou a crescer, acolhendo novos membros. Nesse ano, o cantão de Lucerna adere à união, enquanto os cantões de Zurique, Zug e Berna e Glarona entram em 1353, 1352 e 1353,[19] respectivamente criando a confederação de oito Estados-Membros. Mais tarde entrou a cidade, e não o cantão, de Appenzell em 1411 e depois São Galo em 1412.[20][21] Uri, Unterwalden e Lucerna fizeram uma aliança com o bispo de Sion, Valais em 1403. Porém, em 1414, quando os lordes de Raron (Valais) começavam a aumentar a sua influência no Valais, os habitantes da região começaram a defender-se contra eles, criando assim as primeiras dificuldades da Confederação de 1291. Passados alguns tempos envolvidos em pequenas guerras contra os Borguinhões e em conquistas de outros pequenos territórios como Zurique, Schwyz e Glarona resultados da Antiga Guerra de Zurique, surgiu a necessidade de aumentar a confederação. Porém, em 1477, Uri, Schwyz, Unterwalden, Zug e Glarona não concordavam com mais uma expansão. Um acordo levado por Niklaus von Flüe acalmou os ânimos dando assim entrada aos cantões de Friburgo e Soleura. De seguida, os cantões fizeram mais um acordo com o cantão de Graubünden, porém, sem Berna criando a confederação dos 13 Estados-membro.[22] Através da Guerra dos Suabos, a Suíça juntou mais membros. Em 1501, as cidades de Basileia e Schaffhausen foram integradas na confederação, e em 1513 o Apenzell (antes de se dividir) integrou a confederação, dando assim o número de treze os cantões que constituíam a antiga Confederação de 1291 durante muito tempo. Porém a independência formal só aconteceu em 1648.[22] Depois da criação da Confederação em 1291, a Suíça atravessaria um longo período de revoluções, guerra e invasões contra o Antigo Regime que viria a culminar com a revolução de 1782. Entre 1650 e 1790, vários são os conflitos que vão acontecendo na Suíça contra famílias ricas e que não tiveram sucesso. Muitos cantões entraram em guerra e conflitos para reclamar igualdade nos direitos. Apenas o Cantão de Genebra e a cidade de Toggenburg conseguiram restaurar algumas regras antigas. Porém, em 1782, as tropas napoleónicas e de Berna conseguiram instaurar a aristocracia em Genebra. Contudo, durante o séc. XVIII, cada vez mais as pessoas insistiam na unidade da Suíça, criando regras equivalentes entre os cidadãos. Em 1761, foi criada a Sociedade Helvética em Zurique. Juntavam-se todos os anos em Schinznach-Bad (Cantão de Argóvia) e discutiam a história e o futuro da Confederação.[23] editar A República HelvéticaAs revoltas que ocorriam entre o século XVII e o século XVIII mostraram que a revolução de 1798 não correu da mesma maneira que a Revolução Francesa. Enquanto que em França a revolução deveu-se ao abuso do poder da monarquia, na Suíça, a revolução de de 1798 deveu-se mais à corrupção das casas ricas. De todas as maneiras, a Revolução Francesa de 1789 provou aos suíços que era possível uma revolução na confederação. Após a Tomada da Bastilha, muitos suíços em todo o país começaram a pôr em causa o sistema político em vigor através de petições como, por exemplo, em Unter-Hallau, Aarau e no cantão de Vaud. Outros acontecimentos são as celebrações da Revolução Francesa em Lausanne (1790), de onde inicia-se a Revolução de 1798. Em 1792, ocorre a Revolução de Genebra. Um ano depois são realizadas eleições que viriam a culminar com a celebração de uma nova Constituição em 1794. Nesse mesmo ano ocorre também a Revolução dos Grisons. A Revolução de Vaud em 1797 representou um papel fundamental para a criação da República Helvética. Frederico César de La Harpe perguntou à população se concordaria com uma intervenção francesa contra Berna. Quando Napoleão caminhava a caminho da Alemanha atravessando Genebra, em Vaud foi acolhido em festa e as populações aproveitaram esta ocasião para lhe mostrar as suas convicções em Lyon. Apesar de tudo, Berna não queria negociar e enviou 5000 soldados de expressão alemã à região. Os soldados de expressão francesa proclamaram a República de Léman, em que Léman significava o Lago de Genebra. O general francês Ménard aproveitou a vitória do conflito para declarar guerra a Berna. Os vaudeses marcharam para Berna e tomaram a cidade a 5 de Março de 1798. Cerca de 121 representantes dos cantões de Argóvia, Basileia, Berna, Friburgo, a República de Léman (Cantão de Vaud), Lucerna, Schaffhausen, Solothurn e Zurique juntaram-se em Argóvia a 12 de Abril de 1798 para proclamar a República Helvética e confirmar uma nova constituição. A França anexou os cantões de Genebra, Neuchâtel, Bienna e o território do Bispo de Basileia, actual Jura. A nova constituição promulgada era muito semelhante à francesa, com um parlamento (duas câmaras), um governo legislador e um tribunal supremo de justiça. A tradição federalista da Antiga Confederação de 1291 fora eliminada. editar O colapso e o Acto Mediático de NapoleãoApesar da criação de uma nova república, a República Helvética viria a cair devido a diversos factores. De um lado, os representantes do antigo sistema não falharam em atacar as novas ordens, criticando e ridicularizando-as. Por outro lado, as guerras sucessivas foram esgotando as reservas da confederação. O sistema político de centro não foi bem recebido pela população e os camponeses, apesar de favoráveis à República, queriam estatutos iguais. A França tornara-se uma ditadura sob o comando de Napoleão e a República Helvética teve quatro tentativas de golpe de estado. Em razão da grande confusão e da instabilidade, alguns cantões restauraram o estatuto cantonal (Schwyz, Nidwalden, Obwalden, Appenzell, Glarona e Grisões). A cidade de Zurique criava uma forte oposição sobre a República dificultando as tarefas desta. A República viria a cair em 1802 com uma guerra civil entre os republicanos e apoiantes do antigo regime. Napoleão, ao ver o estado na República Helvética, ordenou os seus soldados a invadir e a desarmar os rebeldes e aí percebeu que o sistema de República nunca seria viável. Foi aí que se criou um acto mediático entre várias partes a ser respeitado pelos cidadãos, que durou de 1803 a 1815. A Suíça ganhou seis novos cantões: São Galo, Grisões, Argóvia, Turgóvia, Tessino e Vaud. Após Napoleão ter perdido contra a Rússia e na Batalha de Waterloo, a Suíça regressou ao sistema federal. Os seis cantões que tinham entrado durante o acto mediático receberam o estatuto de estados livres (cantão) em vez de membros associados. Valais, Neuchâtel e Genebra voltaram a entrar para a confederação após terem sido anexados pela França. A Suíça passava a ter 22 cantões com as fronteiras iguais às da actualidade.[24] editar Era ModernaDurante o século XIX, a Confederação Helvética vai progredindo para se tornar numa democracia moderna. Quando em 1815 o Antigo Regime foi restaurado, nem todos os republicanos desistiram. Muitos ainda reivindicavam a liberdade de circulação e direitos iguais entre classes sociais, entre outras exigências. Dadas isso, o cantão de Basileia dividiu-se em dois: Basileia-Cidade e Basileia-Campo. Outros políticos defendiam a criação de uma federação semelhante à dos EUA, com um parlamento federal. Foi a partir daí que se criou a Constituição Federal de 1848. À semelhança do sistema norte-americano, a Suíça adoptou a Declaração dos Direitos Humanos, duas câmaras parlamentares - o senado e a câmara federal -, o governo federal e um tribunal de Justiça Suprema. A nova constituição foi aceite por 15 cantões e meio (dado que apenas Basileia-Campo tinha aceite). Berna foi designada a capital federal. Porém, só em 1874 é que a constituição foi totalmente revista.[25] O país também se desenvolve no sector da indústria. A Suíça foi um dos primeiros países implementar este ramo na sua economia e viria a crescer sobretudo depois da Revolução Industrial de 1850. A indústria têxtil foi um dos primeiros sectores do país a ser desenvolvido. Em 1801, a Suíça começa a produzir têxteis nas máquinas de terceira geração importadas do Reino Unido em São Galo. Mas, ao invés dos outros países que usavam energia a vapor (a partir do carvão), os suíços usavam sobretudo as potencialidades da energia hidroeléctrica. Em 1818, as máquinas substituíram praticamente todo o trabalho manual em todo o território. Porém, com o Bloqueio Continental provocado por Napoleão, os suíços viram a possibilidade de importar máquinas proibidas. Por isso, muitas empresas começaram a construir elas próprias as suas máquinas. O sector industrial é uma das marcas mais importantes dos séculos XVIII e XIX pois serviu de impulso para a economia helvética. Mas a grande expansão de empresas criara um efeito de capitalismo sem ordem pelo que foi necessário criar regras para conter esses problemas. Também no século XIX a Suíça faz-se de exemplo ao Mundo ao criar regras laborais tais como em 1815 em Zurique que defendia que as horas diárias não excederiam as 12 nunca começando antes das cinco da manhã e as crianças com menos de dez não deviam trabalhar; em 1815 também o cantão de Turgau afirma que nenhuma criança pode trabalhar. Em 1877 uma lei federal nasce afirmando que as horas diárias passariam a ser 11 e não haveria período laboral à noite e aos Domingos. As crianças com menos de 14 anos estavam proibidos de trabalhar.[26] editar Século XXTalvez o facto mais mediático do Século XX na Suíça seja a neutralidade única que teve perante a II Guerra Mundial. A Suíça funcionou como tampão entre o Oriente fascista e o Ocidente (nomeadamente a França e o Reino Unido) liberal. Hitler tinha proposto uma união com a Suíça mas, apesar das ideias ultraconservadoras dos nazis, a Suíça, porém, tinha a sua própria ideia conservadora, o que levou muitos historiadores a concluir este facto como a razão para a neutralidade. De todas as maneiras, vigorava o sistema federal democrático e, através da defesa "espiritual", os suíços rejeitaram o nazismo. A sua neutralidade permitiu um grande crescimento económico, dado que muitos materiais e dinheiro eram guardados na Suíça em segredo. O país passava a ser uma pequena potência de materiais "virtuais", de depósitos das potências, bem como um marco da liberdade. Apesar de tudo, a Suíça foi uma voz de liberdade para a Europa Ocidental. A defesa "espiritual" fez com que a Suíça fosse uma marca de referência para os direitos do Homem e assegurou, fortalecendo, a sua independência.[27] editar Políticaeditar A hierarquia políticaA Suíça, apesar de ser um estado de pouca extensão, possui um sistema político bastante complexo, semelhante aos sistemas federais dos restantes países do mundo. A Constituição Federal da Suíça define o país como um Estado Federal composto por 26 cantões em que cada cantão tem a sua autonomia político-económica. A hierarquia política da Suíça é constituída da seguinte da maneira:
O sistema federal (ou Governo Central) vela pelas relações políticas com o exterior, a economia nacional, as Forças Armadas, os estatutos sobre as medidas internacionais como o peso e a altura, os caminhos-de-ferro (conhecidos como "Chemins-de-Fer Fédéraux" CFF), entre outros. Já o poder cantonal tem a sua própria polícia, tem o seu sistema de saúde e educação e até tem estatuto oficial perante a religião. Por exemplo, no cantão de Valais a religião oficial é a Católica enquanto que, no cantão de Vaud, a religião é o Protestantismo. editar O governoO Governo da Suíça é constituído por um Conselho Federal e por duas alas políticas: o Conselho Nacional e o Conselho de Estado. O Conselho Nacional (semelhante ao Parlamento Português) é constituído por duzentos lugares. Os seus deputados são eleitos por um período de quatro anos através de um complexo sistema de representação proporcional. O Conselho de Estado (semelhante ao senado norte-americano) é constituído por 46 lugares. Os cantões "inteiros" enviam dois representantes e os cantões divididos enviam um. Os representantes de cada cantão são eleitos pela população do respectivo cantão e o sistema de voto difere de um para outro dado que cada um deles tem as suas regras. As duas alas discutam as leis formadas, mas separadamente. Quando não se entendem, as leis têm que ser alteradas. O Conselho Federal, Governo Federal ou Administração Federal (Conseil Fédéral, Bundesrat, Consiglio Federale, Cussegl federal, em francês, alemão, italiano e romanche, respectivamente) é constituído por sete lugares. Cada membro tem direitos equivalentes e representa uma parte do Conselho Federal. Cada membro pode ser reeleito e não existe um limite máximo de mandatos. As pastas que constituem o Conselho são: Assuntos Internos; Negócios Estrangeiros; Energia, Tráfego Ambiente e Comunicações; Economia; Finanças; Justiça e Política; e Defesa, Protecção e Desporto[28]. Todas as decisões federais, ou a aplicar a nível federal, são tomadas no Palácio Federal sedeado em Berna. editar O presidenteA Suíça não tem um presidente de Estado como, por exemplo, em Portugal e no Brasil, o Presidente da República. Existe uma pessoa que é eleita pelos sete conselheiros federais por um período de um ano[29]. O presidente, com estatuto primus inter pares (ou seja, primeiro entre iguais) tem poderes muito limitados. No dia 1 de Janeiro de cada ano e no feriado nacional do dia 1 de Agosto dirige-se à população através de comunicações pela televisão e representa a Suíça em acontecimentos internacionais. Porém, em termos efectivos, cada membro do Conselho Federal tem mais poder que o próprio presidente federal. Além desses poderes, o presidente pode ter uma última palavra em caso de empate nas diversas votações que possam ocorrer quer no Conselho Federal ou nas duas alas políticas.[30] editar Democracia directaPara que toda a população possa participar na vida política, a Suíça tem um sistema único no Mundo de democracia directa. É muito frequente a realização de referendos, quer a nível federal, quer a nível cantonal. Além do mais, os resultados de um referendo federal não implica a obediência de uma lei referendada por um cantão que tenha votado contra. Por exemplo se um cantão votar contra uma lei e em todos os outros cantões fora aceite, essa lei não entra no cantão que tenha votado efectivamente contra. Já em relação aos assuntos externos, é necessário haver a aprovação de todos os cantões como no caso da adesão da Suíça à União Europeia. Para a realização de um referendo Nacional com o objectivo de alterar uma lei na Constituição Federal, é necessário que hajam 100'000 assinaturas[31] a pedir salvo se for um referendo pedido pelo Governo Federal ou por cada um dos cantões.[32] editar Divisão administrativaA Suíça, à semelhança de outros países federais, é constituída por 26 estados autónomos em que cada um deles tem autonomia própria. Segundo a constituição federal, estes estados são designados cantões e são independentes e soberanos. Os cantões (oficialmente designados como membros da Federação Helvética) podem criar as suas leis de modo a que essas leis não interfiram nos outros cantões. Tal como a nível nacional, cada cantão tem a sua constituição, as suas regras, os seus estatutos, etc. Todos os cantões têm o seu parlamento o que reforça as suas autonomias. Como cada cantão é diferente a nível - e não só - territorial, populacional e económico, é normal que as regras divirgam de um para outro.[33]
editar Geografiaeditar Regiões e densidadeA Suíça é um país localizado no centro da Europa de coordenadas 47,00 N e 8,00 E. A sua área total é de 41.293 km² em que 1.520 são cobertos de água. De uma maneira geral, pode-se dividir a Suíça em três regiões geográficas: os Alpes, o planalto e o Jura. O Sul e o centro-Sul da Suíça são dominados pela cadeia montanhosa alpina enquanto que o restante é uma zona plana exceptuando-se um faixa ao longo da região Noroeste que é dominada pelo Jura. A densidade populacional da Suíça é elevada: 170 habitantes por quilómetro quadrado. Porém é na zona central que se concentra a maior parte da população cuja densidade chega aos 500 habitantes por quilómetro quadrado.[34] editar NaturezaDada a grande diferença de altitudes, que variam dos 195 metros até mais de 4000 metros, a Suíça apresenta uma grande diversidade de climas e dos respectivos animais e plantas. Na zona Sul, nomeadamente no cantão de Ticino, pode-se verificar um clima mediterrânico, enquanto que no topo das montanhas está sempre presente uma camada de neve. A grande discrepância de altitudes também permite constatar uma diversidade nos minerais. Nos cantões mais a Sul (Valais e Ticino) podem-se encontrar eucaliptos e pinheiros. O tempo temperado permite a evolução de muitas plantas e também de zonas vinhateiras, entre outras espécies. À medida que aumenta a altitude, a densidade vegetacional diminui, pois o ar torna-se mais frio, dificultando a evolução de espécies. Os glaciares formam a paisagem a altas altitudes. A Suíça é um dos países com mais glaciares por área. Em relação à fauna, os ursos e os lobos estiveram extintos durante um século. Porém, o lobo reapareceu no território nas útlimas décadas proenindo da Itália. O íbex, o chamois e a marmota são espécies muito frequentes nos Alpes, bem como uma grande quantidade de espécies voadoras em todo o território, como pombos, corvos e gaivotas.[35] editar ClimaO clima na Suíça é temperado apresentando uma grande amplitude entre verões amenos e Invernos rigorosos. Abaixo da cordilheira dos Alpes, o tempo é mais quente do que no Norte. Em termos climáticos pode-se dividir a Suíça em quatro regiões: extremo Sul, os Alpes, o maciço central e o Jura.[36][37]. As temperatura variam entre temperaturas negativas nas zonas montanhosas e no Inverno e temperaturas amenas durante o Verão pois na época do Estio, o país é enfrentado por um anticiclone enquanto que no Inverno, existe uma frente fria proveniente da Sibéria causando abruptas quedas na temperatura, sobretudo na noite.
editar CidadesAs cidades suíças são pequenas, nunca excedendo o meio milhão de habitantes (exceptuando-se as zonas metropolitanas). A tabela que segue mostra as dez maiores cidades.
Panorama de Lugano
editar Economiaeditar ProdutividadeA Suíça possui uma economia estável e em ascensão com um PIB per capita superior a muitas outras nações europeias. A base principal do motor económico do país são:
A localização geográfica, a estabilidade política e económica, as infra-estruturas bem conservadas, a educação superior e os impostos relativamente moderados proporcionam à Suíça uma economia próspera tornando o país um lugar de sede de organizações internacionais e multinacionais conhecidas em todo o mundo como a Nestlé, a Novartis, a Swatch, entre muitas outras. Os principais parceiros e importadores dos produtos suíços são a Alemanha, França, Itália seguindo-se os Estados Unidos, o Reino Unido e o Japão. 80% das trocas económicas são feitas com a União Europeia. O poder de compra é alto, apesar do custo de vida o ser também. Porém, os altos salários, a inflação baixa (1%) e um nível de desemprego de 3.1% permitem aos habitantes terem uma qualidade de vida muito acima de vários países.[39] editar RecursosApenas 4% da população trabalha na agricultura e a cada dia, um ou dois agricultores deixam a actividade. A Suíça tem apenas 10% do território ideal para a produção agrícola. A maior parte dos produtos internos são as batatas, o milho, as saladas, as maçãs, os tomates, os morangos entre outros. O vinho também faz parte da agricultura sobretudo na zona francesa (Valais, Vaud, Neuchâtel e Fribourg). A água é obtida directamente dos glaciares e das fontes espalhadas nas mais diversas estâncias de alta altitude e apresenta óptima qualidade, pois a poluição mineral não desejada é baixa. Aliás, todas as minas que funcionavam antes da Segunda Guerra Mundial foram encerradas. 40% da electricidade é obtida através de centrais nucleares e de grandes barragens localizadas nos Alpes enquanto que o restante é importado de outros países durante os períodos de alto consumo (Inverno e noite). No verão, a Suíça exporta energia para os seus vizinhos evitando desperdícios.[40] editar ComunicaçõesParte vital de qualquer país, as comunicações são parte essencial de uma economia de qualquer nação desenvolvida como a Suíça. O país apresenta uma alta concentração de comunicações quer a nível de infra-estruturas, estradas, telecomunicações, etc. Os aeroportos são a porta principal entre a Suíça e o estrangeiro. Contam-se três aeroportos internacionais: Zurich-Kloten, Genebra e Basileia-Mulhouse, que, na realidade, situa-se em Mulhouse, França, mas serve as duas cidades. Ainda existem outros dois aeroportos internacionais mas mais pequenos em Berna e Lugano mas que não têm capacidade suficiente para receber grandes aviões operando sobretudo voos de low-cost. Os transportes públicos são um dos mais funcionais da Europa e englobam comboios, autocarros, teleféricos, entre outros. Os comboios e respectivos caminhos-de-ferro são uma das marcas mais importantes da Suíça. São regulados pela empresa estatal SBB-CFF-FFS embora existam também companhias privadas. Todos as linhas estão electrificadas restando poucas em que os comboios funcionam a diesel e muito menos aqueles que funcionam a vapor para fins turísticos. A Suíça possui a maior densidade de caminhos-de-ferro da Europa e a precisão do tempo e os raros casos de atraso são a razão para a escolha da população por este tipo de transporte. De seguida, os autocarros também são um símbolo do país. Os de longa distância são regulados pelos correios, são de cor amarela e possuem uma alta autonomia ligando normalmente cidades a locais de alta altitude. Por fim, a Suíça apresenta também uma altíssima densidade de estradas (auto-estradas, vias reservadas a automóveis e estradas nacionais) que liga o país inteiro. O facto de não haver portagens permite aos suíços uma maior mobilidade sem ter de escolher as suas vias. Porém, existe um autocolante a ser posto nos carros e que confirma que o condutor pagou uma taxa para poder utilizar as auto-estradas.[41] editar EducaçãoA educação é um pilar fundamental na Suíça. Porém, em todo o território nacional não existe um sistema educacional: 26 cantões, 26 sistemas educacionais. Os currículos são diferentes, bem como as interrupções e assim por adiante. Existem contudo algumas similaridades. A constituição de 1848 exige que cada cantão tem que implementar nove anos de escolaridade obrigatória. Também existe um período pré-escolar (chamado infantine) que é muito comum em todo o país e têm a duração de dois anos. O período primário é normalmente dividido entre 4 a 6 anos. Têm o mesmo professor a cada ano para as várias disciplinas e dá-se grande ênfase à matemática, história, língua, geografia, ambiente e muitas outras actividades extra-curriculares e desportivas. Após o sexto ano, existe o secundário que pode começar mais tarde ou mais cedo consoante o cantão. Aos 19 anos, 20% dos alunos frequentam centros federais de "maturação". Cada cantão tem o seu centro e várias filiais espalhadas como a ETH de Zurique, a EPFL de Lausanne (École Polytechnique Fédéral de Lausanne) ou ainda a HEVS de Valais (Haute-École Valaisanne). Quem não segue este percurso pode optar pela aprendizagem que pode durar entre dois a três anos. Este sistema permitiu criar um grande leque de profissões e de pessoal especializado permitindo uma mão-de-obra extremamente qualificada que é importantíssima para o país.[42] editar Demografiaeditar EtnicidadeA Suíça nunca foi e não é uma população homogénea. Esta diversidade étnica parte desde os tempos celtas em que os helvécios eram a tribo mais importante da zona centro da Europa e está directamente ligada à diversidade linguística do país. Quando os helvécios foram impedidos de imigrar para o Sul do território actual da França por César, floresceu uma nova cultura galo-romana. Em 400 d.C., aquando das grandes migrações, os francos e os burgundos migraram para Norte atravessando o rio Ródano. Estes últimos instalaram-se na zona ocidental da Suíça e adoptaram a língua latina (que viria a originar a zona românica da Suíça). Um outro grupo étnico germânico chamado Lombardos (da Lombardia) instalaram-se na zona Sudeste do país dando origem à zona italiana do país. Por fim, os Alamanos instalaram-se na zona Sudoeste da Alemanha e proliferaram por dentro do território suíço originando a zona alemã do país. Ainda existiam os récios que pensa-se que eram os que originaram a parte do romanche. Porém essa etnia desapareceu sem deixar muitos rastos. Concluindo, podemos dividir a população helvética nativa em três etnias:
Hoje em dia, além destas três etnias, existe uma grande diversidade étnica estrangeira que viria a propagar-se desde a II Guerra Mundial. A Suíça apresenta minorias de origem espanhola, portuguesa, sérvia, albanesa entre muitas outras. editar LínguasA Suíça tem oficialmente quatro línguas: o alemão, o francês, o italiano e o romanche falados, respectivamente, em 63.7 %, 20.4%, 6.5% e 0.5% do território. Esta diversidade linguística deve-se à vizinhança da Suíça: a Itália de expressão italiana, a Alemanha, o Liechtenstein e a Áustria de expressão alemã e por fim a França de expressão francesa.[43] A imigração de grandes grupos estrangeiros, sobretudo portugueses, espanhóis, italianos, sérvios e albaneses permitiram a penetração de várias línguas estrangeiras como o português, o espanhol, o servo-croata e, recentemente o turco, entre outras.[44] editar ReligiãoSão várias as religiões praticadas na Suíça. A nível federal, o Artigo 4.º - Capítulo 1 da Confederação Helvética afirma que toda a pessoa tem o direito de praticar a sua fé religiosa sem qualquer limitação por parte das autoridades e dos outros cidadãos sejam quais forem a nacionalidade ou origem.[45] A religião mais praticada é o Catolicismo com 41,8% enquanto que o Protestantismo vem em segundo lugar com 35%. As restantes religiões são minoritárias como o Islão e o Judaísmo.[46] editar Culturaeditar Características da populaçãoA mentalidade dos suíços é sobretudo pro-europeia. Mesmo não estando integrada na União Europeia, os suíços (sobretudos os da zona francófona) têm ideias europeias (sobretudo ocidentais): liberdade, tolerância e pluralismo. Também é dito que os suíço são conservadores nos seus ideiais e que defendem um outro ponto de vista do que a Europa. Porém, é defendido que o que muito caracteriza a Europa hoje em dia é herdada da Suíça cujo país fora um dos primeiros a adoptar uma democracia como se conhece hoje em dia. No dia-a-dia, os suíços preferem coisas pequenas e não são esbanjadores. Mas são sobretudo marcados pela pontualidade, a precisão e o perfeccionismo. É assim que funciona a máquina económica, política e social. Tudo é regulado e perfeito pois cada suíço sabe que o dinheiro pago em impostos é investido em infra-estruturas como caminhos-de-ferros, estradas, hospitais, escolas, etc. E também concordam a tecnologia com o respeito pelo ambiente criando a responsabilidade e o civismo. Civismo este que é notado em todos os níveis: desde a segurança rodoviária até às escolas passando pela maneira de ser, de comunicar, entre outros. Este civismo também é sentido nos mais diversos referendos que são criados incentivando os suíços a participar na vida política quer directa ou indirectamente proporcionando um sistema único no mundo de democracia directa que, ao contrário dos restantes países europeus com parlamentos ou senados, faz da Suíça um dos países mais democratas do Mundo mostrando também respeito e solidariedade. A solidariedade também é importante nos suíços, embora controversa. A Cruz Vermelha, os Direitos Humanos tiveram muito influência do país. Cada suíço contribui para a solidariedade através dos impostos ou de pagamentos voluntários. A controvérsia neste tema foi no acolhimento barrado a refugiados durante várias guerras sobretudo a judeus durante a II Guerra Mundial culpando a Suíça por alguma parte da tragédia durante este tempo da história da Humanidade. É assim, de uma maneira geral, a cultura do povo suíço. Cultura que também está bem dividida nas quatro regiões linguísticas. Apesar da importância do multilinguismo nas pessoas é necessário entender que os habitantes respeitam claramente as diferenças culturais cujas raízes encontram-se na língua falada em cada região. Tudo está ligado, conectado. Apesar das várias línguas, culturas, pontos de vista, cantões com autonomia, a verdade é que a Suíça é como um relógio perfeito em que cada mecanismo está interligado sem interferir um no outro.[47] editar DesportoTal como os outros países desenvolvidos, a Suíça possui um grande leque desportivo de atletas, clubes, claques, estádios, praticantes anónimos, etc. O futebol é um dos desportos mais praticados | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||